Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Matemática
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem
Autor: Prof. Esp. Éverson Joslin
Curitiba
2007
Éverson Joslin
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem
Trabalho de Conclusão de curso de Especialização apresentado ao Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, como requisito para a obtenção do título de Especialista em Informática na Educação. Orientador: Profª. Drª. Mônica Baptista Pereira Estrázulas
Curitiba
2007
Éverson Joslin
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem
Material para consulta no sítio do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem – Instituto de Matemática da Universidade federal do Rio Grande do Sul, disponível em:
Conceito final:
Aprovado em _______de ________________de_________
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________
Prof. __________________________-UFRGS
_____________________________________
Prof. __________________________-UFRGS
_____________________________________
Orientador – Prof. ______________ - UFRGS
LISTA DAS TABELAS
Tabela 1. Cronograma das atividades desenvolvidas ................................ 29
LISTA DAS FIGURAS
1. Forma simples de mapa conceitual ...................................................................... 15
2. Mapa conceitual com nós e links ......................................................................... 17
3. Vista parcial do laboratório da escola 1 ............................................................. 32
4. Vista parcial do laboratório da escola 2 .............................................................. 32
5. Alunos no laboratório ........................................................................................... 39
SUMÁRIO
1. Introdução ............................................................................................................... 07
2. Revisão Bibliográfica.............................................................................................. 08
2.1 - Aprendizagem por projetos .............................................................................. 08
2.2 - Construção cooperativa do conhecimento ...................................................... 12
2.3 - Utilização de Mapas Conceituais na Construção do Conhecimento ............ 14
Mapas conceituais na educação .............................. ......................................... 18
Relato de experiências ....................................................................................... 19
3. A Internet na construção do Conhecimento ........................................................ 21
Internet e cidadania ............................................................................................... 26
4. Estudo de caso – Vivência de PA Escola .............................................................. 28
4.1 Considerações iniciais .......................................................................................... 28
4.2 Objetivo. ................................................................................................................ 28
4.3 Período de realização ........................................................................................... 28
4.4 Espelho do projeto ............................................................................................... 28
4.5 Metodologia para o desenvolvimento de PA ..................................................... 29 4.6 Métodos de avaliação ........................................................................................... 30
4.7 Atividades desenvolvidas .................................................................................... 30
4.8 Resultados ............................................................................................................. 31
4.9 Análise da experiência ......................................................................................... 39
5. Conclusão ................................................................................................................ 43
6. Referências Bibliográficas ..................................................................................... 47
RESUMO
Na sociedade globalizada, em que o tempo e o espaço não seguem mais uma linearidade, as inovações tecnológicas evoluem a uma velocidade estonteante, de forma que acompanhar tais novidades torna-se tarefa quase que impossível. No momento em que o ser humano se "apropria" de uma (parte da) "técnica", ela já foi substituída por outra, mais avançada, e assim sucessivamente. Essas mesmas tecnologias, especialmente as do campo das comunicações, vêm provocando intensas mudanças na vida e no cotidiano das pessoas. Criam-se novas formas produtivas, grupos de pesquisa, trabalhos à distância e produções compartilhadas. O avanço da tecnologia promove um redemoinho cultural nas inter-relações de todos os sistemas do planeta, provocando uma reorganização, um redimensionamento nas relações dos indivíduos na sociedade. Nestes novos tempos, a escola tem um papel muito maior, o de proporcionar condições para que a era digital não seja mais um instrumento de exclusão social. Quanto ao professor, esse tem o poder nas mãos de mudar conceitos e interferir na realidade, este aliás, é um dos pilares do PROINFO. Basta agir coletivamente. Segundo Freinet, “O educador deve ter sensibilidade de atualizar sua prática e isso, aliás, é o que faz com que ele ainda seja moderno”. Desse modo, cabe a ele refletir sobre a relevância da cooperação e da colaboração no processo da aprendizagem, posto que esta seja uma prática que provoca mudanças radicais no modo de ensinar e aprender. Para isso, deve-se despir de toda a carapaça de conceitos e preconceitos, enfim, ter em mente que mais do nunca devemos estender um novo e diferente olhar sobre a humanidade, ainda marginalizada pela exclusão digital. Sendo assim, exige-se um novo olhar sobre a educação o presente curso, estruturado em Projetos de Aprendizagem e desenvolvido com a utilização de ambientes virtuais de aprendizagem, tem no computador e na Internet suas principais ferramentas, sendo o ponto forte a experiência em desenvolver um projeto de aprendizagem utilizando-se da telemática entre cursistas separados geograficamente. A experimentação deste Curso foi importante, pois confirma que cabe aos professores mediar à construção do processo de conceituação a ser apropriado pelos alunos, buscando a promoção da aprendizagem e desenvolvendo habilidades importantes para que eles participem da sociedade que muitos estão chamando de "sociedade do conhecimento". Nossas observações apontam para resultados animadores quanto aos projetos de aprendizagem nas escolas. Eles propiciam oportunidades para que professores e alunos trabalhem juntos, sejam parceiros na construção do conhecimento.
INTRODUÇÃO
O Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem é destinado para 300 professores em serviço que atuam em escolas das redes públicas do ensino básico dos Estados da Região Sul ou que atuam nos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE´s) do Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO).
Com início em junho de 2006, para a execução do Curso foram estabelecidas parcerias entre o Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia (UFRGS), Faculdade de Educação (UFRGS), Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (SEED-MEC), Proinfo – Programa Nacional de Informática na Educação, Universidade Federal do Espírito Santo, Fundação Universidade de Rio Grande, Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria de Educação do Estado do Paraná, Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, Secretaria Municipal de Educação de Jaraguá do Sul e Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação.
O Curso terá apenas 2 (dois) encontros presenciais, sendo que o primeiro aconteceu em julho de 2006 na Universidade Federal de Curitiba (UFPR) e o segundo acontecerá em data e local a ser definido.
A proposta do PROA, é realizar um curso com cerca de 365 horas, sendo que a maioria será mediada pelas ferramentas da Informação e Comunicação e estruturado em Projetos de Aprendizagem, o qual será basicamente desenvolvido com a utilização de ambientes virtuais de aprendizagem, onde a principal ferramenta será o computador e a Internet, e o ponto forte do curso será a experiência em desenvolver um projeto de aprendizagem compartilhando a experiência com professores e alunos de uma escola publica, o qual se realizou no Colégio Estadual Padre Carlos Zelesny, em Ponta Grossa, com a finalidade de disseminar a utilização do computador como recurso pedagógico.
Basicamente, o projeto envolveu 20 (vinte) alunos multi série, ou seja, alunos da 8ª série do ensino fundamental, alunos da 1ª e 3ª série do ensino médio e um professor orientador, sendo que o tema seguiu um dos princípios do projeto de aprendizagem, ou seja, favorecer a aprendizagem baseada em temas gerados a partir dos interesses dos alunos. A justificativa para o citado projeto foi a seguinte:
“Em face da realidade que nos deparamos onde se percebe um ambiente escolar que passa a contar com alunos com exigências, necessidades e expectativas diferentes em relação à escola, percebe-se a necessidade de mediar a aprendizagem baseada em problemas reais, problemas esses gerados nos interesses e dificuldades dos alunos, ao tentar compreender fenômenos que fazem parte do seu processo de vida.” (nota do autor)
Uma observação importante é que os alunos uma vez colocados na frente do computador em poucos minutos já começam a produzir, aprendem com muita facilidade, fato que não deve preocupar o professor, pois em pouco tempo eles estarão aprendendo com os alunos. É uma inversão de papéis, uma espécie de simbiose entre professores e alunos, como citou a professora Solange: "é preciso aprender a aprender com o novo".
2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 – APRENDIZAGEM POR PROJETOS
O ser humano, desde os primórdios, procurou desenvolver utensílios que lhe facilitassem suas tarefas rotineiras. Durante sua evolução, vários acontecimentos assinalaram profundamente sua maneira de agir, de enfrentar os desafios, dando por vezes, novo curso a sua jornada. A descoberta do fogo, do ferro, da escrita e tantos outros inventos e tecnologias foram surgindo frente às dificuldades que apareciam pelo caminho.
O importante observar é que não há necessariamente uma substituição do novo pelo velho, mas, na maioria dos casos uma coexistência dos dois, utilizados de acordo com as necessidades num ou outro momento e, por vezes, simultaneamente pelo mesmo usuário, de tal modo que não há necessariamente uma ruptura, mas um aprendizado de como fazer melhor". Tomemos como exemplo o automóvel, apesar de todo seu progresso tecnológico, coexiste com a carroça, seu antecessor longínquo, cada qual empregado da melhor forma por seu usuário.
As tecnologias se sucedem uma a uma e o novo de hoje é fruto de um "amadurecimento", de uma evolução que se desenvolve progressivamente.
Não há como ignorar, nem como evitar tais mudanças, pois estão tornando-se cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia, seja através da televisão, do rádio, da telefonia e principalmente da informática. Observa-se que a informática avança com impetuosidade e velocidade, nunca observada em outras tecnologias já existentes anteriormente. Como diz Hobsdbaw: "a ciência, hoje, de fato altera o cotidiano das pessoas. Coloca-se na forma de tecnologia em todos os espaços, transformando o ritmo da produção histórica da existência humana”.
Apesar do exposto acima, notamos que a escola dos nossos dias continua, na sua grande maioria, com práticas que estão ultrapassadas e que não correspondem às exigências do momento atual. Sendo assim, o que precisamos mudar, quais pontos precisam de uma intervenção cirúrgica?
As diferenças entre o conteúdo ensinado e o conteúdo realmente aprendido pelos alunos, nos leva a repensar o verdadeiro significado da escola hoje. Se faz necessário discutir mais sobre o que vem a ser conteúdo, ou melhor, que conteúdos são realmente importantes se olhados sob a ótica do aluno? Construir e compreender, quais são esses conteúdos e então, estabelecer para eles as devidas competências. Sendo assim, o trabalho pedagógico desloca o seu eixo do ensino para dar ênfase a aprendizagem, priorizando em primeiro lugar, o interesse dos alunos, dando-lhes a oportunidade de fazer parte dessa construção. Também não devemos imaginar que os alunos é que sabem o melhor para eles, daí a nossa participação enquanto mediadores.
Assim, professor e alunos passam a ser parceiros, com o mesmo objetivo, qual seja o de compartilhar o conhecimento, problematizar situações e questionar, para que juntos possam interagir e modificar, se for o caso, as realidades, podendo até mesmo criar um ambiente inovador que possibilite uma aprendizagem colaborativa.
Criar esse ambiente de aprendizagem é pensar em criar possibilidades de estabelecer relações entre os aprendizes envolvidos no processo da aprendizagem. Um ambiente que incentive o trabalho com situações problemas, instiga o pensar coletivo, favorecendo desta forma, a colaboração e a cooperação entre alunos, professores e comunidade escolar.
Para isso, se faz necessário alguma coisa que tire o processo da inércia. Trabalhar com a informática como apoio poderá ser o elemento que ajude a promover a aprendizagem, pois se baseia na construção cooperativa do conhecimento, possibilitando até mesmo uma minimização das diferenças entre alunos. Só para ter uma idéia, colocamos no laboratório alunos que já conheciam um pouco de informática juntamente com alunos que nunca tinham tocado antes eu um computador. Poucas horas depois, os olhos destes brilhavam e já discutiam e perguntavam aos outros alunos mais experientes, sobre o que estavam fazendo.
Tem-se discutido muito a respeito dessa nova maneira de aprender: os chamados Projetos de Aprendizagem: eis algumas características:
1) Partem das questões de investigação (dos interesses e necessidades dos alunos) e vão a busca das respostas;
2) Enfatizam a ação e a experimentação;
3) Tem uma estrutura mais flexível que a adotada com as grades curriculares;
4) Os alunos constroem os conhecimentos em interação com professores, alunos e comunidade;
5) As atividades são realizadas em equipe;
6) São desenvolvidas as habilidades de comparação, análise, desenvolvimento de estratégias, estabelecimento de relações entre os assuntos, autonomia, espírito crítico e reflexão;
7) O papel do professor é o de mediador deste processo, acompanhando e desafinados alunos, abrindo questões desafiadoras dentro das próprias respostas dos alunos;
8) Num Projeto de Aprendizagem existem três tipos de questões: a) exploração - permite a pesquisa ampla acerca de uma noção; b) justificação - tenta legitimar um ponto de vista ou idéia; c) contra-argumentação - tenta verificar se as idéias são verdadeiras ou não. È interessante, porque eu tive uma experiência com meus alunos enquanto professor num colégio de periferia, que vou assinalar abaixo:
Relato de Experiências
Eu tinha dez turmas, cerca de 430 alunos, sendo que em algumas destas turmas o trabalho fluía sem grandes problemas, eram alunos da 2ª série diurno do Ensino Médio, portanto já um pouco mais amadurecidos, porém, tinha também duas turmas do 3º ano também diurno e três turmas do 2º ano noturno do Ensino Médio. Essas últimas eram sem dúvidas as dores de cabeça de todos os professores. A cada reunião dosprofessores era aquela reclamação sobre indisciplina, faltas, falta de comprometimento, desrespeito. De certa forma aquela situação começou a me incomodar.
Neste período, eu atuava como professor colaborador do Departamento de Geociências da UEPG, na disciplina de Geoprocessamento e Hidrologia, e também orientava duas monografias de final de curso de Bacharelado em Geografia. Um dos temas dessas monografias versava sobre a questão do uso do solo urbano envolvendo os núcleos habitacionais. Foi a minha deixa; nas aulas, comecei a instigá-los sobre essas questões: moradias deles versus localização dos núcleos habitacionais, situação do bairro onde moravam e as melhorias urbanas que os núcleos próximos à suas casas tinham e eles não. Não tardou eles sugeriram fazer um estudo a respeito disto. Levei os alunos universitários para conversar com eles, propiciando uma interação sobre o tema, fornecendo-lhes subsídios para um ponto de partida. Elaboraram um plano de trabalho, uma espécie de roteiro, do tipo, o que fazer quem vai fazer o que, a partir de uma tempestade de idéias. Meu trabalho foi de orientar o caminho, organizar as saídas de campo que sempre ocorreram em contra turno e nos sábados.
O interessante foi que eles começaram a achar questões que não tinham nada a ver com a situação original, novos questionamentos foram se inserindo ao projeto, pediram para utilizar o laboratório de informática da escola a fim de organizarem os trabalhos, foram até a prefeitura atrás do plano diretor e da lei de zoneamento e até conversaram com alguns vereadores. Com isso, vemos que as colocações do texto Resolvendo problemas? Por que é tão difícil? De Beatriz e de Iris Elizabeth,fazem mesmo sentido: "Uma forma interessante de aprender é mediante aprendizagem baseada em problemas reais, multifacetados, que exigem a participação de professores e especialistas de diferentes campos, facilitando o trabalho interdisciplinar", sendo que "Os problemas devem ser gerados nos interesses e dificuldades que os alunos apresentam, ao tentarem compreender e explicar os fenômenos que fazem parte do seu processo de vida, em constante inter-relação com os demais seres".
Mas se por um lado trabalhar com Projetos de Aprendizagem é interessante para os alunos, por outro lado, para os professores nos parece que nem tanto. Um dos maiores receios dos professores em trabalhar com os mesmos é a ausência de seqüência dos conteúdos, pois o professor passa a ser o mediador deste processo, desafiando os alunos nas respostas apresentadas às questões investigadas.
Isto requer segurança em lidar com situações imprevisíveis, onde as soluções não estão debaixo da mesa, tampouco no armário, mas no acompanhamento “pari passo” dos alunos frente aos novos desafios. A criatividade e o jogo de cintura fazem parte deste processo e precisam de um ambiente favorável para se desenvolver.
No Projeto de Aprendizagem o professor tem um papel mais amplo e complexo: torna-se, ou pelo menos deve perceber-se, um aprendiz. Além disso, tem como funções articular formas de trabalho com os alunos, organizar o ambiente de aprendizagem com os recursos necessários (inclusive os tecnológicos), subsidiar outros professores quanto ao desenvolvimento dos alunos, coordenarem o processo de reflexão sobre a ação, avaliando a tecnologia utilizada e planejando as ações seguintes, bem como mediar o contato dos alunos com especialistas das mais variadas áreas do conhecimento.
Além disso, orientar os alunos na organização dos dados levantados. Difícil? Sim, levando-se em conta que grande parte dos profissionais da educação tem até 60 horas semanais de trabalho, e não raro, possuem parte dessas horas em escolas diferentes.
Outra questão que eu gostaria de colocar não se refere ao professor, mas sim ao aluno: veja, de certa forma os alunos estão desmotivados com a escola dos nossos dias, como dizem os professores, “não querem nada com nada”, então, como fazer para que eles despertem para atividades com os Projetos de Aprendizagem? Mais um desafio para o nosso famigerado e assoberbado professor.
Como implantar essa prática na escola? É um processo, não se aprende da noite para o dia, nem se determina por resoluções, mas sim na prática do dia através do treinar, treinar, treinar, treinar...
2.2 CONSTRUÇÃO COOPERATIVA DO CONHECIMENTO
O momento atual é de inovações tecnológicas que evoluem a uma velocidade estonteante, de forma que acompanhar tais novidades torna-se tarefa quase que impossível. Tais inovações, em especial as tecnológicas e das comunicações, vêm provocando intensas mudanças na vida e no cotidiano das pessoas. Criam-se novas formas produtivas, grupos de pesquisa, trabalhos à distância e produções compartilhadas. O avanço da tecnologia promove um redemoinho cultural nas inter-relações de todos os sistemas do planeta, provocando uma reorganização, um redimensionamento nas relações dos indivíduos na sociedade.
A informática superou os outros meios de comunicação, principalmente pela velocidade em que as coisas se realizam. Aqui, agora, o básico é buscar e saber usar a informação. É mais importante adquirir habilidades para manusear um catálogo, uma enciclopédia, um dicionário, um CD-ROM, uma gramática, a Internet, do que a memorização de regras, tanto que o modelo de ensino está às vias de um colapso, são professores e alunos reclamando um do outro, sem se darem conta, entretanto, que tudo é fruto desta maluquice dos tempos atuais.
Uma coisa é certa: vivemos hoje em uma destas épocas que se tornam marcos, verdadeiros limites na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes fica maio vago, perde sua identidade, porquanto surgem dúvidas, e a partir daí, uma nova ordem poderá firmar-se, como, aliás, tem nos mostrado a história, como se a cada tempo tivéssemos que reinventar a roda, peque-se, por exemplo, o período da queda do Império Romano e o surgimento do Feudalismo, novamente o renascimento, o porquê do nome renascimento.
Somos tomados pela correria dos “tempos modernos”, e temos que tomar o cuidado de pensar como professores, caso contrário não conseguiremos atingir nosso principal público alvo, aquele nosso colega que esta fossilizado num “modus” de ensino que já esta há muito superada. Muitos educadores ainda não entenderam porque a criança que chega à escola, logo se desgosta da mesma. Na verdade, esta não se acabrunha com o ambiente educacional, mas sim com os métodos de ensino e, necessitamos debater sobre as posturas e condutas do professor na sociedade atual.
No contexto atual dá-se grande destaque aos trabalhos em grupos a colaboração e a cooperação na aprendizagem com a finalidade de ressaltar a importância de trabalhos colaborativos e cooperativos. Alguns autores definem ou se referem a cooperação e colaboração como sinônimos. Ferreira (1986, apud Barros, 1994) define colaboração como “trabalho em comum com uma ou mais pessoas; cooperação; auxílio; contribuição” .(1991, apud Barros, 1994): coloca que: “colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica no conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo – criar alguma coisa nova ou diferente através da colaboração, se contrapondo a uma simples troca de informações ou passar instruções”.
Para Piaget, cooperação é definida como co-operação, isto é cooperar na ação é operar em comum. Para que haja uma cooperação é necessário a existência de uma escala de valores e uma reciprocidade na interação.
Para Vygotsky, a colaboração entre pares ajuda a desenvolver estratégias e habilidades gerais de solução de problemas pelo processo cognitivo implícito na interação e na comunicação. O trabalho em colaboração com o outro, enfatiza a zona de desenvolvimento proximal que é “algo coletivo” porque transcende os limites dos indivíduos.
Entretanto, se queremos uma atitude colaborativa, devemos que tomar como referências nossas ações como exemplos, tendo atitudes que demonstrem cooperação e respeito. Vou tomar aqui como exemplo minha própria vivência enquanto professor: muito dificilmente você me encontrava nos intervalos de aula na sala dos professores, porque eu estava no “chão da fábrica”, ouvindo as dificuldades, compartilhando as alegrias dos alunos, de tal modo que, não raro, nos intervalos e até mesmo fora do horário de aula eu era abordado pelos alunos para assuntos que nada tinha a ver com aulas de geografia.
Simplesmente ele tinha encontrado alguém que os ouvia, ponto de inicio para que nossas aulas se tornassem agradáveis e cooperativas. Tais atitudes possibilitam uma interação e contribuem para a formação de cidadãos críticos.
Nestes novos tempos, a escola tem um papel muito maior, qual seja o de proporcionar condições para que a era digital, não seja mais um instrumento de exclusão social. Quanto ao professor, esse tem o poder nas mãos de mudar conceitos e interferir na realidade, este, aliás, é um dos pilares do PROINFO. Basta agir coletivamente. Segundo Freinet, “O educador deve ter sensibilidade de atualizar sua prática e isso é o que faz com que ele ainda seja moderno”. Desse modo, cabe a ele refletir sobre a relevância da cooperação e da colaboração no processo da aprendizagem, posto que esta é uma prática que provoca mudanças radicais no modo de ensinar e aprender. Para isso, mais do que nunca, devemos nos despir de toda a carapaça de conceitos e preconceitos, de que nós agora sabemos e eles não, enfim, ter em mente que mais do nunca devemos estender um novo e diferente olhar sobre a humanidade, ainda marginalizada pela exclusão digital.
2.3 UTILIZAÇÃO DE MAPAS CONCEITUAIS NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
Muitas vezes temos idéias repentinas ou insights sobre determinado tema, entretanto, na hora de colocar isto no papel na forma de texto, surge um verdadeiro drama, pois nem sempre contamos com aquela fluidez de palavras que externalizem o que estamos pensando relacionando os conceitos. Perde-se tempo e idéias valiosas por falta de uma ferramenta que facilite esta tarefa.
O mesmo se aplica à educação, onde professores e alunos, ainda presos ao sistema conteúdista de ensino em que o professor passa a maior parte do tempo da aula “passando conteúdos para a classe”, e o aluno por sua vez, estuda os conteúdos desfragmentados, ou seja, sem uma ligação hierárquica de conhecimento, constituindo em mais uma “decoreba” do que propriamente uma aprendizagem. Exemplo disso tenho vivenciado com estudantes que vão prestar vestibular e fazem cursinhos onde estudar significa memorizar para o vestibular.
Como alternativa, os mapas conceituais podem ser utilizados para auxiliar a ordenação e a seqüênciação hierarquizada de idéias e conteúdos de ensino, podendo auxiliar alunos e professores de forma a oferecer estímulos adequados ao desenvolvimento de idéias. Podem ainda ser usados como um instrumento que se aplicam as diversas áreas do ensino e da aprendizagem escolar, como planejamentos de currículos e pesquisas, entretanto, como diz o texto, o mapa conceitual apresenta-se como diagrama em que são expressos os conceitos, e que por sua vez, não exigem tanto esforço cognitivo como o despendido na construção de um texto com suas normas gramaticais, ortográficas, etc.
Sempre que desejamos mostrar uma hierarquia simplificadamente, nos fazemos valer de diagramas ou de organogramas, os quais são fixados em local de fácil acesso nas organizações de tal modo que todos possam saber onde, literalmente, é o lugar de cada um na mesma. O pacote do Office do Windows nos permite realizar essas tarefas através do Word e do PowerPoint, de modo que se tentássemos demonstrar através de um texto certamente exigiria muitas e muitas páginas e de difícil compreensão. Do mesmo modo, em minhas aulas de Geografia, ao invés de complicados textos sempre tive preferência por elemento de visualização, como transparências, slides, vídeos, fotos, mapas e diagramas.
Por outro lado, os mapas sempre fizeram parte da história do homem como forma comunicação. Já imaginou descrever a intrincada malha viária de uma cidade através de um texto ao invés de se utilizar os mapas?
De certa forma, a utilização de diagramas para representar de modo simplificado um conhecimento não é, de forma alguma, novidade para ninguém. Muitos docentes há muito esboçam os chamados “esquemas”, para representar as idéias gerais dos conteúdos trabalhados. Todos nós os utilizamos em nossa caminhada acadêmica. Entretanto, calcados num sistema conteudista que privilegia as anotações em forma de textos, os utilizávamos de modo tímido.
Felizmente, Joseph Novak, desenvolveu os mapas conceituais como uma ferramenta para organizar e representar conhecimento (NOVAK, 1977). Não especificamente um tipo de conhecimento, mas todo e qualquer conhecimento. Desta forma, podem ser utilizados por qualquer pessoa, para representar suas idéias sobre determinado assunto criando uma seqüência de conceitos ligados e interligados entre si, conforme seus relacionamentos, ficando semelhante a um diagrama.
Na figura abaixo, uma forma simples de mapa conceitual:
amam os
Figura 1: forma simples de mapa conceitual
O que vemos no exemplo acima é um conceito simples, expresso através de forma gráfica, mas que poderia estar em forma de texto. Tal mapa pode ser importante para a aprendizagem: “Eles são utilizados como uma linguagem para descrição e comunicação de conceitos e seus relacionamentos, e foram desenvolvidos originalmente para suporte à Aprendizagem Significativa.” (AUSUBEL, 1986).
Sobretudo, devem servir como elemento norteador das atividades, favorecendo a amplitude de idéias, mas não necessariamente como um fim em si mesmo.
A proposta de trabalho dos Mapas Conceituais está baseada na idéia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, a qual estabelece que a aprendizagem ocorra por assimilação de novos conceitos e proposições na estrutura cognitiva do aluno. Novas idéias e informações são aprendidas na medida em que existem pontos de ancoragem, também conhecido como um conhecimento básico anterior, ou seja, pontos referenciais. Esta teoria da assimilação de Ausubel, como uma teoria cognitiva, procura explicar os mecanismos internos que ocorrem na mente dos seres humanos. A referida teoria dá ênfase à aprendizagem verbal, por esta ser predominante em sala de aula.
Quando se fala em aprendizagem, é bom ficar claro que isto implica em modificações na estrutura cognitiva e não apenas em acréscimos. Torna-se relevante que novos conhecimentos adquiridos necessitam ter uma organização, e serem significativos para o aluno, para somar-se aos conhecimentos já existentes produzindo um novo conhecimento.
Nesta perspectiva, parte-se do pressuposto que o indivíduo constrói o seu conhecimento partindo da sua predisposição afetiva e seus acertos individuais. Estes mapas servem para tornar significativa a aprendizagem do aluno, que transforma o conhecimento sistematizado em conteúdo curricular, estabelecendo ligações deste novo conhecimento com os conceitos relevantes que ele já possui.
Entretanto, pensar que um mapa conceitual poderia substituir na integralmente um texto, é uma incoerência. Através das leituras que tenho feito sobre o tema, creio que um mapa conceitual nunca substituirá um texto tradicional, mas poderá ser uma ferramenta a mais, utilizada na promoção da aprendizagem, pois permite a seus construtores/utilizadores refletirem mais claramente sobre as questões que terão de apresentar através do mapa, questões estas que deverão estar interligadas, mas não necessariamente hierarquizadas, além de oportunizar a análise e reflexão sobre conexões ocorridas (links, nós), muitas vezes nunca antes pensadas.”.
Daí se pensar que o mapa conceitual poderá ser uma ferramenta também na construção de um texto, ou mesmo ser o ponto de partida, como num mapa geográfico que demarca pontos referenciais, o mapa conceitual apresenta as direções do conhecimento acerca do tema.
Para se construir uma mapa conceitual, a partir de um tema gerador, pode-se utilizar um software próprio para isso, podendo ser o CMap Tools que pode ser baixado através do site http://penta2.ufrgs.br/edutools/mapasconceituais/, ou o INSPIRATION, que pode ser baixado através do site www.inspiration.com.br. Este último oportuniza o desenvolvimento da criatividade do aluno, pois é muito intuitivo, e ainda tem a possibilidade de inserção de imagens e textos, o que sem dúvida, proporciona mais prazer na construção de mapas.
Para utilização em educação, particularmente sugiro o CMap Tools, pois acredito ser um programa mais técnico devido à facilidade de um nó (link) seguir para vários conceitos; já o programa Inspiration é um verdadeiro programa gráfico, o qual pode ter um excelente resultado com alunos do ensino fundamental. Em ambos os casos, podemos associar outros documentos e links até mesmo para páginas web.
Já dissemos que mapas conceituais são representações gráficas de conceitos e que se assemelham a diagramas, os quais traduzem um determinado conhecimento, possuem nós que são os conceitos e os links que são os relacionamentos entre os dois conceitos (fig. 2).
Figura 2 - mapa conceitual apresentando nós e links
Fonte: ttp://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2005/nfa/tetxt5.htm
A partir destes conceitos e seus relacionamentos, poderíamos ampliar nosso mapa conceitual de acordo com a fluidez de idéia sobre o tema. O importante é que ele desperte para outros conceitos. Por exemplo, podemos partir de um link já existente e formar um novoconceito, como no exemplo acima, como cita Gilda Helena Campos...“Imaginemos, por exemplo, que um especialista analise este mapa e discorde das ligações realizadas pelo autor do conceito. Ele pode alterar esse mapa e explicar ao autor inicial as razões e as novas ligações realizadas.”
Mapas Conceituais na Educação
Enfatizamos anteriormente que os mapas conceituais podem ser utilizados por qualquer pessoa para expressar de forma gráfica seus conhecimentos sobre qualquer tema. Mas, no presente caso, vale uma reflexão sobre a utilização como ferramenta de aprendizagem para alunos e como recurso pedagógico para professores.
No primeiro caso, pode ser útil para o estudante para::
- Fazer anotações: Um exemplo claro são as palestras que podem ser resumidas por tópicos, formando um conceito hierarquizado do tema;
- Analisar questões e como método de análise e solução de problemas;
- Planejar o estudo e/ou a redação de grandes relatórios e identificar a integração de tópicos;
- Preparar-se para avaliações, com pequenos resumos que comumente poderiam servir de “colas”;
No segundo caso, para os professores, os mapas conceituais podem constituir-se em poderosos auxiliares nas suas tarefas rotineiras, tais como:
- Tornar claro os conceitos difíceis, arranjados em uma ordem sistemática;
- Estabelecer relações entre eles;
- Auxiliar na transferência de uma imagem geral e clara dos tópicos e suas relações para seus estudantes ;
- Reforçar a compreensão e aprendizagem por parte dos alunos;
- Verificar a aprendizagem e identificar conceitos mal compreendidos pelos alunos;
- Auxiliar os professores na avaliação do processo de ensino;
- Possibilitar aos professores avaliar o alcance dos objetivos pelos alunos através da identificação dos conceitos mal entendidos e dos que estão faltando;
Segundo KAWASAKI (1996), é importante:
- Escolher o tema a ser abordado;
- Definir o objetivo principal a ser perseguido;
- Definir a apresentação dos tópicos, colocando-os numa seqüência hierarquizada com as interligações necessárias;
- Dar conhecimento ao aluno do que se espera quanto ao que ele poderá ser capaz de realizar após a utilização do processo de aprendizagem;
- Permitir sessões de feedback, de modo que ao aluno seja possível rever seus conceitos, e ao professor, avaliar o instrumento utilizado, de modo a enfatizar sempre os pontos mais relevantes do assunto, mostrando onde houve erro e promovendo recursos de ajuda.
Relato de Experiências Com Mapas Conceituais
Muito embora o Seminário Mapas Conceituais tenha trazido novos conceitos e experiências, confesso que para mim já não era novidade. Em um dos Cursos que participei na Universidade do Professor em Faxinal do Céu – PR, (Encontro de digitalização do Ensino médio – 20 a 24 de agosto de 2001), tive a oportunidade de conhecer o trabalho com mapas conceituais.
Posteriormente, fui indicado pelo grupo de multiplicadores do NTE Ponta Grossa para trabalhar um novo tema dentro dos cursos: a TV ESCOLA, que sabíamos, não estava incorporada ao cotidiano pelas escolas, não por falta de equipamentos e logística, mais por pura falta de informação e treinamento dos professores sobre este fantástico e rico recurso didático pedagógico.
Na escola em que trabalhei havia uma resistência muito grande quanto ao uso da TV e do Vídeo no cotidiano escolar. Apesar de eu utilizar meu próprio equipamento (“O CANGURU - TV com vídeo 14”), não raro ouvia os professores comentarem que eu estaria “matando” aulas com o uso de vídeos. Essa resistência deve-se, em minha opinião, há uma cultura baseada no “eu ensino e você aprende” ou, no eu “dito e você copia”, ou ainda, na idéia de que os vídeos só são utilizados para filmes para diversão. O uso pedagógico desta tecnologia nem ao menos faz parte do planejamento escolar. Embora os vídeos tenham sido incorporados ao cotidiano das pessoas nos anos 80, nos parece que em algumas escolas ele ainda não chegou, o que nos preocupa ainda mais em se tratando de microcomputadores e internet. Pior não é isso, eles não perceberam ainda que não se trata de uma nova ferramenta, mas de sobrevivência.
Colocado sobre mim a responsabilidade de trabalhar TV ESCOLA, e tendo sido recente minha primeira experiência com mapas conceituais, decidi que era hora de inovar. Só de falar em TV ESCOLA parecia que os professores ficavam arrepiados. Selecionei uma série de temas que poderiam ser tratados, bem como me municiei material bibliográfico e de vídeos. A metodologia utilizada foi a seguinte:
A partir de um tema gerador motivado com a apresentação de um vídeo (os vídeos devem ser de curta duração, no máximo 20 minutos), um clip, uma reportagem, depois se pede que cada professor faça uma reflexão individual sobre o tema e resuma em uma palavra o que viu ou assistiu e escreva em uma tira ou faixa de papel, com tamanho previamente cortado e distribuído. Posicionados em círculo, informamos a eles que vamos montar um mapa conceitual e solicitamos que eles discutam coletivamente a idéia central do tema.
E após, utilizando-se das faixas com as palavras que representam a idéia de cada um a respeito do tema, pedimos para que eles fizessem um mosaico, espalhando-as no chão ou colando-as na parede, de acordo com a idéia do grupo, de tal forma que todos possam acompanhar no chão ou colado na parede, de tal forma que todos possam acompanhar e participar da construção sem hierarquização do conhecimento. Cada um, de acordo com a sua idéia do tema vai colocar sua faixa com sua palavra no lugar que julgar correto, ao que deve haver concordância dos demais ou não. Caso não haja concordância do grande grupo, este deve explicitar o porquê de colocar sua palavra naquele local, ou seja, tem que vender seu “peixe”, caso contrário, aquela palavra deverá ser retirada daquele lugar do diagrama e se adequar a outro ou então, ser excluída, caso não faça parte da idéia do grupo.
Resumindo, trata-se de uma hierarquização de idéias onde a construção do conhecimento é feita com a participação de todos. É importante ressaltar que algumas palavras são excluídas pelo grupo e, às vezes, pelo próprio dono dela, o que significa que elas não estavam dentro da idéia do grande grupo.
A partir daí, utilizando de um software disponível, muitas vezes no próprio PowerPoint ou no Word, uma vez que nem sempre o CMap TOOL funciona em nosso laboratório, os professores dão o formato ao mapa de acordo com seu tempero individual, colocando cores de fundo, alterando fonte, etc. Posteriormente o mapa fica exposto no laboratório até o final do curso.
Enfim, é uma experiência interessante em que todos participam e acabam por gostar da brincadeira e não raros nos solicitam idéias para trabalhar com seus alunos.
Mesmo que de modo incipiente, estávamos trabalhando com mapas conceituais com nossos professores. Entretanto, apesar de parecer fácil depois de pronto, requer muita atenção e sensibilidade, ou seja, expressar por meio gráfico o que se está pensando não é uma tarefa fácil, porém, não há a necessidade de se preocupar com expressões, verbos, etc, e ao mesmo tempo possibilita um exercício para além do tema.
Utilizar mapas conceituais para expressar idéias e conteúdos, sem a preocupação com a forma não deixa de ser interessante, em especial porque possibilita ir mais além da própria idéia, como também pode nos fazer ver que estamos saindo do nosso tema ou pesquisa de um modo bastante simples, em que a visualização gráfica possibilita um cheek-in a todo instante. Aliás, esta é a grande descoberta nos dias atuais, em que a tecnologia de visualização está em evidência e poucas pessoas se arriscam em apostar que isto possa se reverter.
Entretanto, devemos estar atentos para que os mapas conceituais não se tornem um fim em si mesmo, mas seja uma ferramenta a mais. Além disso, os softwares que vi até agora não respondem na totalidade as necessidades, em especial porque ainda são grandes, pesados, deixando às máquinas lentas, especialmente as mais antigas. Isso pode dificultar a democratização do uso desses aplicativos, mesmo porque o Word e o PowerPoint não são softwares preparados para essa tarefa. Talvez, uma das grandes tarefas agora, seja criar um aplicativo mais free, e que possa ser mais facilmente instalado, porque os existentes só são possíveis de instalar baixando da internet, e sabemos que muito poucas escolas possuem acesso a rede mundial de computadores.
Quanto ao treinamento dos professores, não vejo nenhum problema. Basta que os mapas conceituais passem a fazer parte dos cursos de aperfeiçoamento como também, façam parte dos cursos de graduação sendo que para isso, será necessário um trabalho junto às IES.
3 - A Internet na construção do conhecimento
Vivemos a era da pós-globalização, isto é, já sentimos os efeitos deste processo que revolucionou a vida dos seres humanos e alterou substancialmente o cotidiano das pessoas. Dentre as características deste fenômeno está o dinamismo com que as coisas acontecem e obviamente necessitam ser transportadas, isto é, necessitam chegar aos usuários em potencial. Os meios de comunicação sofreram uma verdadeira revolução com o objetivo de atender ás nova exigências que advirem com esse dinamismo. Outra característica é a fossilização, isto é, as coisas tornam-se fósseis muito rapidamente com o aprimoramento dos produtos e serviços, bem como, com o surgimento de novas e melhores alternativas.
Como parte integrante deste processo, e até podemos dizer, um dos responsáveis pelas facilidades de comunicação está a INTERNET que como cita Neide Santos:
“A Internet torna-se, gradativamente, um meio comum de troca de informações, acesso a especialistas em inúmeras especialidades, formação de equipes para trabalho cooperativo, independentemente das distâncias geográficas, e acesso a arquivos e repositórios remotos de informação. De forma diferente das inovações tecnológicas surgidas nos últimos anos, a Internet rompe as barreiras geográficas de espaço e tempo, permite o compartilhamento de informações em tempo real e apóia a cooperação e a comunicação, também em tempo real. Este novo cenário tecnológico, econômico, social e cultural é cada vez mais familiar a todos nós.”
Não se pode mais negar a existência bem como a importância da Internet para o mundo globalizado. O que se pode e deve-se discutir são seus efeitos, e como essa ferramenta pode nos auxiliar nas nossas tarefas. Aliado a Internet está o computador, hoje um binômio, por estarem intimamente ligados e não se pode falar no primeiro sem o segundo. Foi o avanço tecnológico que possibilitou o aumento da capacidade de memória e operações dos computadores, bem como a sua miniaturização em relação à primeira geração destas máquinas.
Em um de nossos cursos que demos em uma escola, que não estava conectada à Internet (e ainda não está), a primeira pergunta que os alunos fizeram ao entrar no laboratório foi se eles iriam aprender a se “plugar” na Internet. Tal colocação nos remete a uma reflexão bastante preocupante: será que a escola como é atualmente está atendendo às exigências da sua clientela?
A educação formal, contudo, apresenta uma tendência histórica em retardar a incorporação de inovações em suas práticas pedagógicas. Os produtos do avanço tecnológico têm sido absorvidos, usados e dominados primeiramente, nos setores mais modernos da sociedade, a seguir nos setores mais conservadores, depois em nossas casas e, por último, na escola. Por isso mesmo, quando apresentamos um projeto envolvendo as TICs na escola, há uma espécie de euforia contagiante visível nos olhares dos alunos e ao mesmo tempo, espanto por parte dos professores com essa realidade, como que surpreendidos com a euforia de seus alunos diante de uma situação nova.
Se isso já espanta, imagine pensar e falar em ensino à distância ou Espaço Virtual de Ensino e Aprendizagem. No mínimo os professores vão achar que estão procurando um meio de substituí-los. Mas afinal, como isso funciona? O que são ambientes de ensino e aprendizagem?
Nada mais são que possibilidades de se construir o conhecimento, uma aprendizagem sem a necessidade presencial, isto é, sem a presença física dos interlocutores, onde um software faz o papel de interlocutor entre o tutor ou orientador e os alunos, é algo bem interessante. Entre as facilidades, estão o acesso às informações a qualquer hora do dia ou da noite, bastando para isso que o aluno se conecte a rede e desde que não seja necessária a sua presença on-line em determinados horários, como os chats ou as interações que por ventura venham a ser marcadas pelo tutor.
Aqui cabe ressaltar que em muitos cursos, como por exemplo, o Curso Normal Superior, o qual tem a coordenação da Universidade Eletrônica, bom parte do curso acontece na sala ao lado, ou seja, tutores em uma sala e alunos em outra, sendo que no mesmo horário, outros alunos e tutores de outras localidades poderão estar em constante interação. Aqui, neste caso, mais parece um ensino presencial, dado à necessidade se estar conectado em horário específico e em local específico, já que não é possível instalar o software no computador doméstico de cada aluno.
Nos cursos a distância em geral, como este do qual estamos participando no ambiente E-Proinfo, já há uma maior flexibilidade (o que não significa um descaso com as participações). As interações ocorrem de modo mais aberto, podendo o participante acessar o respectivo site a qualquer momento e hora e fazer ali suas postagens, verificar as postagens dos seus colegas e respondê-las, acessar o material do professor e de outros alunos. Tais “entradas” são monitoradas pelos orientadores responsáveis, como modo de medir a participação e qualidade das informações que seus alunos estão discutindo no fórum.
Mas se por um lado temos facilidades, temos também, por outro lado, dificuldades. Quanto a elaboração de um curso á distância, alguns cuidados devem ser tomados, por quem elabora, como por exemplo, o que ocorreu no fórum do nosso colega professor Marco Cantini (NTE de Curitiba):
“Com relação aos cuidados na elaboração de curso on line, os cuidados deveriam ser muitos, começando por respeitar o tempo de aprender de cada um. Não podemos ir jogando informação sem dar oportunidades para todos em todos os momentos, senão estaremos praticando a pedagogia da exclusão e não da inclusão e o principal ponto que vejo é dar assistência constante, respostas claras e imediatas a todas as questões levantadas, dar suporte integral para que o professor/aluno se sinta seguro.”
Em uma aula presencial, o mestre está atento ao comportamento do aluno e sabe precisar o momento em que sua intervenção se faz necessária para o equilíbrio da turma, reforçando sua prática pedagógica com este ou aquele aluno. De fato como citação acima, se deixarmos de dar atenção àquele aluno que tem dúvidas, poderemos perdê-lo, o que aliás, explica a grande evasão escolar que se verifica nos nossos dias, em especial, temos notado no turno noturno.
De acordo com a Prof. Neide Santos, o uso educacional das tecnologias de rede se apóia em diferentes vertentes de pesquisa e desenvolvimento, e este uso pode ser reunido em seis modalidades:
. Aplicações de hipermídia para fornecer instrução distribuída;
. Sites educacionais;
. Sistemas de autoria para cursos à distância;
. Salas de aula virtuais;
. Frameworks para aprendizagem cooperativa; e
. Ambientes distribuídos para aprendizagem cooperativa.
Ainda de acordo com a autora:
“Entre as aplicações de hipermídia” instruções distribuídas encontram-se (i) cursos multimídia com objetivos educacionais definidos, tarefas a serem realizadas pelos alunos, formas de avaliação e suporte para comunicação com os pares e com o professor; e (ii) cursos no formato hipertexto, compostos de páginas Web, seguindo o modelo de livro-texto, normalmente sem tutoria. De um modo geral, tais cursos não são oferecidos gratuitamente. A imensa maioria dos cursos existentes na Internet pertence ao segundo enfoque. Estes cursos seriam o que Schank (1994) denomina page-turning architecture, adotando o formato “pressione o botão para a próxima página”. “Pode-se, contudo, encontrar cursos sobre quase todos os assuntos na Web.”
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Até que ponto auxiliar na formação do cidadão e não aliená-lo do mundo real? Como preparar a escola pública para trabalhar com esses aplicativos e superar esta crise de identidade com esses tempos modernos?
Por outro lado, estar antenado ou plugado com o mundo, não significa apenas só ter um equipamento e saber operá-lo. A chave é tomar posse da tecnologia e usá-la ao nosso favor. É comum ver crianças e jovens orgulhosos porque são mais espertos que os adultos na hora de operar um controle remoto, um videogame ou o próprio computador. Será que isso é mesmo verdade? Quantos alunos conseguem, efetivamente, compreender o sentido e a utilidade das novas tecnologias para a construção do conhecimento?
Na época da Revolução Industrial, no final do século 19, as máquinas eram consideradas mais importantes do que o homem. Agora quando vivemos uma revolução tecnológica, as pessoas são o elemento mais valorizado. Ou seja, cabe às escolas ajudar a formar cidadãos aptos a usufruir e alimentar essa nova ordem mundial, gente capaz de criar máquinas ainda melhores, menores, mais ágeis e eficientes.
Apesar do progresso tecnológico, o que vemos é agravamento dos problemas sociais, cuja solução se constitui no maior desafio dos tempos contemporâneos, como o desemprego, a criminalidade, o tráfico de drogas, a corrupção, a miséria, a fome, etc. A revolução tecnológica tem deixado à margem milhares de pessoas, criando uma população de excluídos e, portanto, socialmente excluída do mundo, constituindo-se em verdadeiros analfabetos digitais, longe do conhecimento e da informação. Basta para isso vermos as últimas estatísticas, as quais apontam para 60% da população mundial quem ainda não teve a oportunidade de fazer uma única ligação telefônica, como também a projeção que na América do Sul só 7% da população tem acesso a Informática.
Segundo o dicionário Aurélio, informática é "ciência que visa ao tratamento da informação através do uso de equipamentos e procedimentos da área de processamento de dados". Assim, nos parece claro que o tratamento de dados com o uso do computador passa a ser apenas uma otimização, uma racionalização operacional, sem um contexto reflexivo sobre o tema. Já CIDADANIA, segundo o mesmo dicionário é "qualidade ou estado de cidadão", ou seja, indivíduo no gozo de seus direitos civis e políticos de um Estado. Desta forma, ele estaria amparado pela constituição e teria direito à saúde, educação, etc.
Entretanto quando olhamos para as cidades e vemos uma imensa população que se empilha nos morros onde as condições de sobrevivência são precárias, podemos imaginar que eles estão muito longe de serem cidadãos. A luta ali é pela sobrevivência. Se lhes faltam essas condições, podemos imaginar a distância que os separa do mundo digital?
Mas afinal, o que é essencial para ser cidadão?
Segundo ALENCAR et all2, "Ser cidadão é algo que se aprende, e a cidadania se constrói exercitando, ouvindo e expondo idéias e argumentos, analisando-os, tomando atitudes e avaliando suas implicações."
Assim, por dedução, se temos populações vivendo miseravelmente, excluídas do contexto social, alienadas da sociedade, podemos imaginar que aí não se esta construindo a cidadania. Neste caso, tais pessoas não podem ser consideradas cidadãos? Como podemos ver, dependendo do ponto de vista de cada um, o termo "cidadania" é muito amplo. É comum as pessoas dizerem.. "qualquer cidadão no gozo dos seus direitos"... , entretanto, como vimos ser cidadão é participar da vida em sociedade.
Paralelamente à estas questões, a revolução tecnológica vem possibilitando a existência de uma rede de comunicação, de recursos de multimídia e o emprego da tecnologia computacional, a qual promove e facilita a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de diferentes modos de representação e de compreensão do pensamento humano.
CASTELISafirma que "a característica da atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimento e informação, mas a aplicação destes para a geração de conhecimentos e dispositivos de processamento e comunicação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso".
Internet e cidadania
Neste contexto muitos organismos, governamentais e não governamentais, tem-se preocupado com a socialização do conhecimento e informação utilizando como ferramenta as novas tecnologias, neste caso, o computador e a Internet. Um desses organismos é o Comitê para Democratização da Informática, que é uma organização não-governamental sem fins lucrativos que, desde 1995, desenvolve o trabalho pioneiro de promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção e o exercício da cidadania. Através de suas Escolas de Informática e Cidadania, o CDI implementa programas educacionais no Brasil e no exterior, com o objetivo de mobilizar os segmentos excluídos da sociedade para transformação de sua realidade, trabalhando em parceria com comunidades de baixa renda e públicos com necessidades especiais, tais como deficientes físicos e visuais, usuários psiquiátricos, jovens em situação de rua, presidiários, população indígena, entre outros.
O domínio das novas tecnologias não só abre oportunidades de trabalho e de geração de renda, como também possibilita o acesso a fontes de informação e espaços de sociabilidade. Se levarmos em consideração o processo de globalização e o avanço imediato de tecnologias, passa a informática a ser essencial em todos os ambientes do cidadão. Daí a preocupação com essa tecnologia nas escolas públicas. A utilização inteligente do computador torna-se eficaz quando este é usado de forma a levar o aluno a explorar sua capacidade. A informática possibilita que o aluno explore novos conhecimentos, resolva problemas de forma mais criativa e partilhe informações.
Unindo-se ao uso inteligente do computador, o professor desempenha um papel fundamental no processo de aprendizagem do aluno já que o computador é uma ferramenta que irá auxiliar o professor neste exercício de educação. O ensino do professor aliado ao computador tem como objetivo provocar mudanças e impactos na aprendizagem do aluno, e por conseqüência, nas novas gerações. Torna-se possível adquirir informações com mais rapidez e facilidade. Essa interação homem e máquina tornaram-se uma ponte na busca de novos ideais e crescimento intelectual.
Partindo do princípio de que a educação é essencial à formação da cidadania democrática, sendo esta entendida como a concretização dos direitos políticos, civis e sociais que permitem ao indivíduo a inserção na sociedade, a educação tecnológica, nessa perspectiva, deve possibilitá-lo à transposição da marginalidade para a materialidade da cidadania. Não é possível pensarmos na sua conquista sem educação, embora tenhamos a clareza, também, dos seus limites, principalmente no mundo globalizado em que os meios de comunicação exercem uma forte influência na formação dos indivíduos.
A importância da educação nessa direção é confirmada em pesquisas realizadas por Nancy Cardia (1995), ao evidenciarem a relação existente entre o desconhecimento da população sobre seus direitos e a não-utilização de mecanismos para concretização ou denúncia de violação dos direitos. Esse desconhecimento parte, exatamente, dos grupos que apresentam as condições sociais e de escolaridade menos favoráveis e têm os direitos mais violados.
A inserção e o acesso às novas tecnologias no contexto da escola pública, bem como da população menos favorecida, poderá permitir, em curto prazo, que a população como um todo chegue a um nível de cidadania de tal modo que saibam perfeitamente quais são seus direitos e deveres enquanto cidadão de uma nação politicamente organizada. Essa escola é o que Alain Touraine (1998) denomina de escola democratizante, ou seja, é a que assume o compromisso de capacitar os indivíduos para serem atores, ensinar a respeitar a liberdade do outro, os direitos individuais, a defesa dos interesses sociais e os valores culturais.
É necessário estabelecer uma relação crítico – produtiva - participativa, capacitando o indivíduo a interagir com as diversas formas de tecnologias e permitindo o diálogo em todos os níveis. Não basta nascer da espécie humana para tornar-se cidadão. É preciso aprender a cultura da cidadania e interferir sobre a “cidadania" para transformá-la. As novas tecnologias, como o computador e a Internet, tem aqui seu papel mais importante, ou seja, propiciar que as pessoas possam exercer a cidadania e serem preparadas para tal.
4.ESTUDO DE CASO
VIVÊNCIA DE UM PROJETO DE APRENDIZAGEM EM ESCOLA PÚBLICA
4.1 Considerações Iniciais
Um dos grandes desafios da atualidade é fazer com que a escola retome o grau de importância das décadas anteriores, onde os alunos tinham prazer em estudar porque sabiam que a escola lhes seria importante para a vida. Muitas e muitas vezes eu ouvi das pessoas mais velhas, “você tem que estudar ter uma profissão, um diploma, porque o seu futuro depende disso.” No entanto, vemos hoje, salvo raras exceções, uma escola pública desmotivada com alunos mais desmotivados ainda, onde os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem e os pais fingem que estão contentes, porém, os filhos destes mesmos professores não estudam na escola pública, mas na escola privada que proliferou nas últimas duas décadas, espaço ganho com a queda da qualidade no ensino da escola pública.
A clientela hoje é outra, mais informada e também, em boa parte, informatizada, mas quando chega à escola, encontra o mesmo modelo de 50 anos atrás. Poucos professores ousam “ousar”, mesmo porque, teriam que mudar seus paradigmas como “eu sei, você aprende”.
Surge então, a necessidade de desenvolverem meios mais eficientes e prazerosos de ensino-aprendizagem, onde alunos e professores sejam, efetivamente, parceiros no processo de construção do conhecimento.
4.2 Objetivo
O presente estudo de caso teve por fim, acompanhar e descrever as atividades desenvolvidas por professores e alunos no desenvolvimento de um projeto de aprendizagem em uma escola pública, como requisito para a conclusão do Curso de Tecnologias da Informação e Comunicação na Promoção da Aprendizagem – PROA.
4.3 - Períodos de realização
De abril a maio de 2007.
4.4 - Espelho do Projeto acompanhado
TÍTULO DO PROJETO: Projeto de Aprendizagem
PROPONENTE: Coordenação Regional de Tecnologia na Educação de Ponta Grossa- Pr.
MODALIDADE: Assessoria Pedagógica com vistas a um Projeto de Aprendizagem
PERÍODO DE REALIZAÇÃO: Abril a maio/2007
LOCAL DO EVENTO: Colégio Estadual Padre Carlos Zelesny
MUNICÍPIO SEDE: Ponta Grossa / Pr
RESPONSÁVEIS PELO PROJETO:
Professores da escola: Profª S. B.
Professores do CRTE: Prof. Esp.Éverson Joslin
ENVOLVIDOS: Professora S. B. alunos de 8ª séries do Ensino Fundamental, 1º e 3º ano do Ensino Médio, no total, 20 alunos
OBJETIVO(S):
- Proporcionar aos alunos, atividades, envolvendo o uso das TICs e aprimorar seus conhecimentos sobre a mesma;
- Incentivar a pesquisa e processo de resolução de problemas, através da proposta de Projetos de Aprendizagem.
JUSTIFICATIVA: Em face da realidade que nos deparamos onde se percebe um ambiente escolar que passa a contar com alunos com exigências, necessidades e expectativas diferentes em relação à escola, percebe-se a necessidade de mediar à aprendizagem baseada em problemas reais, problemas esses gerados nos interesses e dificuldades dos alunos, ao tentar compreender fenômenos que fazem parte do seu processo de vida.
4.5 Metodologias para desenvolvimento do projeto de aprendizagem.
Orientações sistematizadas para a criação de um tema:
- O tema deve contemplar uma curiosidade do aluno;
- O tema deve oportunizar uma investigação;
- A investigação a ser realizada deve ser prazerosa;
- O tema deve ser favorável à exploração multidisciplinar e transdisciplinar.
Desenvolvimento do Projeto de Aprendizagem:
- Fazer um inventário do conhecimento, através de um levantamento das Dúvidas Temporárias e Certezas Provisórias;
- Construir mapas conceituais, colocando conceitos chave do tema a ser pesquisado;
- Agrupar itens do inventário em itens de trabalho;
- Fazer um plano de trabalho;
- O desenvolvimento do projeto consiste em esclarecer dúvidas e validar certezas;
- Após cada etapa atualizar o quadro de cognição e refazer o planejamento.
Para cada item de trabalho realizar as seguintes etapas:
Buscar informações em:
- Leitura de textos (livros, revistas, jornais, Internet, etc...);
- Observação de fenômenos;
- Enquete;
- Simulação.
- Análise;
- Síntese;
- Publicação no blog e no wiki do grupo.
4.6 – Métodos de avaliação
A avaliação será realizada no transcorrer da aplicação do projeto, utilizando elementos tais como: participação trabalha em equipe, observação, produção e exposição de material, construção de mapas conceituais.
INFRAESTRUTURA NECESSÁRIA POR AMBIENTE: Laboratório de Informática; Internet; Software e Sala de aula.
De acordo Ponta Grossa 10/04/07 ________________________________
Direção do Colégio
4.7 - Atividades Desenvolvidas
Cronograma
Tendo por objetivo dar uma seqüência ordenada das atividades, foi elaborado um cronograma, segue abaixo:
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DATA
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ATIVIDADE
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PARTICIPANTES
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01 a 15/03
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Elaboração da intenção de PA na escola. Proposta, justificativas, viabilidade
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CRTE – prof Éverson
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16 a 29/03
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Visitas a Escolas de Ponta Grossa com laboratórios de Informática para avaliação
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CRTE – prof Éverson
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24 a 28/03
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Contato com a direção da escola escolhida – Colégio Estadual Padre Carlos
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Prof Éverson, Direção.
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03/04
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1ª Reunião com professor convidado e com a direção:. Conhecimento da proposta, escolha dos alunos/turma
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Prof Éverson, Direção e prof. convidado
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17/04
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1º Contato com os alunos, proposta do projeto, definição das intenções de pesquisa por parte deles. Questões investigatórias, definição do calendário.
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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19/04
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Discussão das questões investigatórias. Elaboração da dúvidas e certezas, Inicio do diário de bordo pelos alunos e criação dos blogs
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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24.04
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Pesquisas as questões de investigação e início das postagens no wiki
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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26.04
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Atualização do blog, pesquisas na internet, postagens no wiki
Criação da pagina do PA www.padrecarlos.pbwiki.com
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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03/05
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Atividades com vídeo, pesquisa na Internet, publicações no blog e diário de bordo
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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07/05
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Conclusão das pesquisas por parte dos grupos. Discussões sobre as pesquisas e planejamento para conclusão dás postagens
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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08/05
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Conclusão dos trabalhos do grupo amigo-macaco. Postagens no wiki, no blog e no diário de bordo
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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09/05
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Conclusão dos trabalhos do grupo The-flash. Postagens no wiki, no blog e no diário de bordo
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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10/05
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Conclusão dos trabalhos do grupo Unidos do Gole. Postagens no wiki, no blog e no diário de bordo
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Prof Éverson, profª Solange, alunos
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11/05
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Conclusão dos trabalhos do grupo Tabajara. Postagens no wiki, no blog e no diário de bordo
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Prof Éverson, profª Solange, alunos
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22/05
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Reunião com alunos e a prof. Solange para revisão dos trabalhos dos alunos e preparação para apresentação à comunidade escolar
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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23/05
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Socialização das pesquisas pelos grupos, considerações da direção e corpo técnico-pedagógico da escola e encerramento com uma confraternização;
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Prof Éverson, profª Solange, alunos.
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Tabela 1 – cronograma das atividades desenvolvidas
4.8 Resultados
Informações sobre a Escola
O Colégio Padre Carlos localiza-se no Bairro Sabará, região oeste da cidade de Ponta Grossa (área de periferia), e conta com 1455 alunos distribuídos em 40 turmas, funcionando em 03 (três) turnos, manhã, tarde e noite. É a única escola de Ponta Grossa que possui um laboratório com 5 (cinco) máquinas conectadas à Internet (ADSL), e que é utilizada por alunos, muito embora sejam máquinas com mais de 7 (sete) anos de uso.
Atualmente, a direção da escola está sob a responsabilidade do Prof M. F. da S., o qual não tem poupado esforços para manter a qualidade do ensino e o respeito que a escola tem no meio social em que está inserida. Localizada em um bairro da periferia da cidade, a escola é um marco importante para a comunidade. Além de atender alunos oriundos do bairro, também recebe alunos de áreas circunvizinhas e rurais do município.
Para mim, é um grande privilégio poder estar desenvolvendo este projeto nesta Escola e espero estar de algum modo contribuindo para o aprendizado dos alunos. Maiores informações sobre a escola acessem o sítio do portal da educação do Paraná:
Reunião com a direção e professor parceiro
Com o objetivo de organizar as atividades junto à escola e ao professor parceiro, realizamos em 03 de abril uma reunião, momento em que entreguei a todos:
. 01 cópia do projeto e do cronograma de atividades;
. 01 cópia da metodologia para desenvolvimento do projeto de aprendizagem;
. 01 cópia de um texto sobre mapas conceituais;
. 01 cópia de um texto sobre projeto: o que é? Como se faz? (Lea Fagundes);
. 01 cópia de um quadro de atividades desenvolvidas em sala de aula sobre o projeto;
. 01 cópia contendo a relação atualizada dos alunos participantes do projeto.
Cabe ressaltar que, foi solicitado ao professor que inserisse em seus conteúdos questões disciplinares sobre os temas que os alunos estão investigando, de tal modo que, não seria necessário que o professor se afastasse do seu currículo.
Laboratórios de Informática
O laboratório de informática é modesto, contando com apenas 5 (cinco) máquinas que estão funcionando, isto porque nós (técnicos do CRTE) estivemos ressuscitando algumas delas.
Apenas uma delas suporta o windows XP e, consequentemente edita o wiki. As máquinas em windows 98, além de serem extremante lentas, não abrem o wiki para edição.
Operacionalmente isto é um grande problema, já que o projeto é composto por 5 (cinco) equipes e 20 alunos, os quais necessitam publicar suas pesquisas todos os dias.
Aqui em ponta Grossa, ainda não temos o PDR (Paraná Digital) nas escolas, sendo que, além deste estabelecimento de ensino apenas outros 3 (três) com linha dedicada de internet (ADSL) no laboratório de informática, porém, as máquinas são antigas e sucateadas.
Mas se isto é um problema, a participação e entusiasmo dos alunos não é. As atividades acontecem em contra-turno e é voluntário. Apesar disto, o projeto não tem registrado faltas significativas, mesmo em dias de chuva. Observa-se um brilho no olhar destes alunos quando chegava à escola para as atividades.
Figura 3 – vista parcial do laboratório Figura 4 – vista parcial do laboratório
Contato com os alunos
O primeiro contato com os alunos ocorreu em 17 de abril no laboratório de informática. Neste encontro, foi explicado a eles o plano de trabalho e ajustado uma parceria de trabalho. Foi esclarecida a eles a metodologia a ser empregada no projeto, principalmente, enfatizado que se tratava de uma pesquisa que eles desenvolveriam a partir do interesse deles e solicitado a participação. Foi interessante observar a curiosidade que estava no olhar de cada um, em especial tendo em vista que toda ela se daria a partir da utilização do computador e da Internet. Entre eles, havia aqueles que ainda não tinham tido qualquer contato com o computador, ocorrendo literalmente uma “inclusão digital”.
De um modo geral, os encontros foram muito bons. Em nenhum momento houve a necessidade de se utilizar de censura ou de qualquer outra atitude enérgica para manter o bom clima, muito embora houvesse uma diversidade de faixa etária, uma vez que tinha alunos da 8ª série e 1º, 2º e 3º ano do ensino médio, somando ao todo 20 alunos.
Neste encontro, houve a formação da equipes por afinidade de temas, muito embora em se tratando de uma turma heterogenia, ou seja, de turmas e seriação diferentes, optei por deixar que as equipes se organizassem mantendo a seriação.
Formação das equipes e escolha do tema
Já vivenciei vários PAS com alunos, porém, nenhum com estas características. A definição do temas foi surgindo naturalmente das discussões a cerca do cotidiano doa alunos, suas ansiedades e decepções. Ao final deste encontro, as equipes de trabalho ficaram assim definidas:
Equipe 1: Amigo Macaco
Formada por alunos do 2º ano do ensino médio, foi uma equipe participativa e eficiente durante todo o processo.
Relato dos alunos na íntegra:
“Em 17 de Abril de 2007, a fim de dar oportunidade a alunos do Pe Carlos, a aprender um pouco mais sobre informática, da-se inicio o trabalho do professor Éverson. Que duas vezes por semana nos ensina diversas coisas voltadas ao computador. Dividindo os alunos em grupos,com propósito de aprendermos de forma mais legal . Nosso grupo entrou em convívio constante durante o período do curso... Com o tema "Meu amigo da escola é um macaco", nosso grupo levanta uma questão que está relacionada desde as criança até aos mais velhos, que são os desenhos animados... Durante o período do curso tentamos entender como eles são feitos, como surgiram, quem foi o criador, enfim, queremos mostrar aos interessados como é o Mundo dos desenhos animados.”
Componentes do grupo:
A. F. J. – 2.a
J. L. S. - 2.a B
F. D. C. – 2ª A
Questão investigativa: Como são feitos os desenhos animados?
Dúvidas temporárias.
Como são feitos os desenhos 3D?
Quem foi o maior criador do 1°desenho animado do Mundo?
Qual foi o 1º desenho animado?
Certezas provisórias
Primeiramente os desenhos animados são baseados de histórias em quadrinhos.
Maior cartunista do Brasil é Maurício de Souza.
Equipe 2: Unidos do Gole
Esta equipe me surpreendeu. De inicio, o tema de pesquisa e o nome da equipe me deixaram preocupado. Com o desenvolvimento da pesquisa fui entendendo a razão doa alunos em trabalhar com este tema. Segundo relato deles, muitos colegas da escola consome álcool em excesso. Segundo a pesquisa, é cada vez maior o consumo de álcool entre os jovens e cada vez esta diminuindo sensivelmente a idade em que eles começam a utilizar a bebida. Mais informações em http://unidosdogolepcz.blogspot.com/
Relato dos alunos na íntegra
Estamos contentes com a oportunidade, que nos foi oferecida para que pudéssemos nos conhecer melhor e pudéssemos também ampliar nossas novas idéias, para que pudéssemos aplicá-las ao projeto oferecido... O trabalho que fizemos sobre alcoolismo e que pelo nome todos pensam que é algum tipo de brincadeira ou coisa do gênero afinal um grupo com o título: UNIDOS DO GOLE, mais foi assim que achamos uma boa idéia para aproximar mais nossos colegas e todos.
Temos todos, noção do desenvolvimento do trabalho e também estamos orgulhosos por nos mesmos por estarmos trabalhando com o projeto voluntário estabelecido pelo nosso colégio.
Temos também de agradecer ao nosso professor por nos apoiar e nos "agüentar " por mais ou menos um mês.
Enfim a conclusão esperada desde o inicio de tudo era essa mesma de mostrar a todos que nos jovens também temos a chance de mostrar á toda nossa capacidade de poder fazer a diferença.
Componentes do grupo:
A. O. - 2.a C
J. C. – 1.a C
J. N. – 1.a C
L. E. P. – 1.a C
R. A. – 1.a A
Questão investigativa: Como está o alcoolismo entre os jovens
Dúvidas temporárias:
Quem nos influencia a bebida e porque somos influenciados?
Quais são as drogas contidas na bebida?
Estas são questões que vamos tentar entendê-las.
Certezas provisórias:
Todos já beberam.
Todos que bebem ficam bêbados.
Quem consome muito álcool, terá sua vida mais curta.
Equipe 3: Big Brothers
Composta por alunos da 8ª série, foi uma equipe que discutiu muito, pesquisou muito, porém, escreveu pouco. Entretanto estavam sempre reunidos em torno do computador, na biblioteca pesquisando em livros e revistas. Penso que o mais importante foi oportunizar que estivessem juntos, unidos por um tema comum fora do turno normal da escola. Estavam sempre perguntando e discutindo as questões que envolviam a pesquisa e também, outros temas.
Componentes do grupo:
A. M. – 8ª
C. T. - 8ª
J. O. – 8ª
J. C. L. – 8ª
V. L. – 8ª
Questão investigativa: Por que existe racismo?
Dúvidas temporárias.
Porque existe o racismo no Brasil?
Existe racismo no mundo inteiro?
Certezas provisórias.
Pessoas da raça negra recebem, menos que as pessoas da raça branca.
Há vários tipos de racismo, há o racismo contra negro,loiro, gay, lésbicas e outros.
Negros quase não conseguem arranjar emprego.
Equipe 4: The Flash
Equipe formada por alunos multisseriada levantou uma questão investigativa bem interessante. Apesar de terem sido prejudicados pelo computador a eles destinado, não pouparam esforços para realizar o propósito de sua investigação. Só não foi possível fazerem o blog, o qual só permitia edição em uma máquina do laboratório.
Relato dos alunos na íntegra: “Primeiramente foi muito bom ter me inscrito para fazer o curso, aprendi muita coisa legal, e acessei a internet e a biblioteca para pesquisar temas para o trabalho que o professor tinha pedido, eu aprendi coisas que não sabia.”
Componentes do grupo:
U. C. P. - 17 Anos 3º B
R. F. P. - 18 Anos 1º C
E. H. M. - 16 Anos 1º C
Questão investigativa: como funciona a câmara fotográfica?
Dúvidas temporárias
Quem foi o inventor da câmara fotográfica?
Qual o motivo que o levou a pensar em tal coisa?
Qual foi o primeiro modelo de câmara fotográfica?
Certezas provisórias
A câmera fotográfica foi inventada a algum tempo e até hoje já sofreu várias modificações e evoluções.
A câmara fotográfica é um instrumento muito utilizado hoje em dia, porém a maioria das pessoas não sabe como ela funciona;
Antes de chegar ao tipo de câmara que temos hoje, era usado um modelo muito diferente: a câmara escura.
Equipe 5: Tabajara
Da mesma forma que o grupo a equipe anterior, contou com a participação de alunos multi-seriados de 6ª e 8ª séries do ensino fundamental. O que me impressionou foi a unidade e persistência deste grupo que disputava palmo a palmo o espaço no computador e que mesmo assim, se organizava de tal modo que todos faziam de tudo. De certo modo, este grupo mexeu comigo, pois quando informei a eles que nosso trabalho estava no fim, pediram para inseri-los em outros grupos, caso o projeto tivesse uma segunda turma no colégio, o que, infelizmente não foi possível.
Relato dos alunos na íntegra:
“... e o curso eu no primeiro dia estava assustado, pois quando o Márcio chegou na sala ele perguntou se tinha alguém que sabia alguma coisa sobre computador eu disse que sim "Sabendo que não era verdade'', mais quando cheguei à sala tive uma boa impresão o professor nos recebeu da melhor forma possível e com a convivência com aspessoas do grupo e fui me adaptando aoclima”
“Aprendi não só coisas sobre o universo, mas também coisas do computador como: o que é blog; o que é vírus; e muitas coisas mais sobre o universo eu aprendi que os cometas são formados de gases e poeira. prendi que o buraco negro suga a luz das estrelas; aprendi que existem mais de 200 buracos negros só na nossa galáxia. Então, aprendi também coisas da vida.”
“Nessas aulas que freqüentei aprendi coisas novas não só informática, sobre o planeta Terra, a máquina fotográfica desenhos animados e muito mais. estou adorando essas aulas.”
Componentes do grupo:
D. H. L. - 8ª A
E. R. - 8ª A
C. H. R. - 8ª A
S. P. - 8ª A
V. O. - 6ª H
Questão investigativa: Como surgiu o universo?
Dúvidas temporárias
De onde vêm os cometas, meteoros e planetas?
Como surgem os buracos negros?
Como surgiram os planetas?
Certezas provisórias
Certezas que fazemos parte do universo;
Certezas que existem planetas e estrelas;
Certezas que não existe outro planeta capaz de suportar vida.
Foi muito interessante acompanhar esta fase do trabalho, onde pude observar que rapidamente eles definiram um tema e uma questão investigatória. Tal fato, a meu ver, deve-se ao interesse que o trabalho despertou neles.
Como parte do projeto, a seguir os solicitei a eles dessem início ao diário de bordo, o qual foi atualizado em todos os encontros.
No próximo encontro, foi explicado como se faz um mapa conceitual a partir de um tema gerador, e solicitado que eles o fizessem tendo como referência o tema de pesquisa e a questão investigatória. Os mapas conceituais, embora elaborados de maneira tosca, apresentaram um ótimo desempenho dos alunos em formar conceitos e links entre eles.
Foi encantador ver a alegria dos alunos em poder por as mãos nas máquinas. Alguns deles só tinham visto computadores em propagandas e lojas. Seu primeiro contato com eles foi mesmo emocionante, a preocupação em ligar a máquina, os cuidados em mexer no teclado e no mouse. Executaram as tarefas com esmero e dedicação (fig.11), sem qualquer problema de indisciplina grave e, o mais Um dos casos mais interessantes foi da aluna Jéssica T. de Moura, pois simplesmente fazia questão de permanecer no laboratório mesmo no horário de aulas da outra turma, ou ainda, o depoimento da aluna S.A.P, que ao final de um dos dias de atividades em laboratório, quando fazia seu diário de bordo, escreveu que aquele dia ela estava se sentido muito feliz por poder estar aprendendo a utilizar o computador, mais especificamente, o editor de texto.interessante, houve pouquíssimas faltas (9% do total).
Alem do editor de textos, os alunos aprenderam a utilizar o Paint, possibilitando que fizessem os desenhos conforme sua imaginação. Foi interessante observar a diversidade de conceitos sobre o mesmo tema quando se trata de expor idéias através de ilustrações. Houve casos de .desenhos macabros, do tipo cemitérios e túmulos e coisas do gênero, mas também ilustrações retratando o cotidiano deles, verdadeiras obras de arte.
As produções dos mapas conceituais foram feitas no PowerPoint, uma vez que as máquinas do laboratório não suportavam baixar o Cmap.
Todas as produções foram construídas na wiki do projeto (www.padrecarlos.pbwiki.com), bem como nos blogs. Cada equipe construiu sua wiki e seu blog. fig5. Alunos no laboratório de informática
4.9 Analise da experiência
Gestão da Inovação
Percebe-se que a escola pública esta confinada na prática de meados do século passado, de tal modo que as mudanças, quaisquer que sejam demoram muito a acontecer, isto quando acontecem. Com o PA na escola não foi diferente, pois até que se concretizasse foram necessárias muitas visitas a esta escola, havendo até mesmo recusa do projeto por outra escola. A participação dos professores foi outro ponto interessante: a pergunta que faziam era se essa prática contribuiria para que eles tivessem avanço na carreira e, ao saberem que não traria este benefício, não se interessavam pelo projeto.
Indicadores:
I Acolhimento: Observou-se que a escola recebeu o projeto com ceticismo e até mesmo com certo temor. Durante as práticas, sempre tinha um observador da equipe técnica, o qual se limitava a ouvir. Foram poucos os momentos em que ocorreram interações com as práticas dos alunos. A idéia de que a construção do conhecimento passa pelo interesse do aluno, não ficando amarrado a postura conteudista do professor, parece que não agradou muito, num claro sentido de conservadorismo.
Evidências:
· A equipe diretiva manifesta apoio ao trabalho inovador:
O diretor num primeiro momento achou a idéia do projeto interessante, principalmente porque ele tinha um grupo de alunos que ele considerava diferenciados. Deste modo, o projeto veio de encontro ao que ele precisava para aquele grupo de alunos. Em geral, as escolas criam um grande número de projetos envolvendo os alunos, porém, via de regra, privilegiam os alunos ditos “problemas”, num sentido de recuperá-los. Todo o corpo profissional da escola se envolve nestes projetos, entretanto, o que se tem feito para reconhecer o bom aluno? O Projeto de Aprendizagem, neste caso, veio preencher este espaço, tanto que o diretor nos indicou quais alunos deveria participar do projeto, daí o fato de serem alunos multi-séries. Há de se deixar registrado que o diretor era nosso conhecido há muito tempo, o que facilitou o entendimento. Em outra escola que propusemos o trabalho, a diretora do estabelecimento após ouvir a proposta do projeto, limitou a dizer que ela duvidada que o projeto pudesse colher bons frutos, em especial porque os alunos não se comportariam de forma adequada na execução do projeto.
· A escola abre espaço para discutir o novo, porem, parece não haver interesse dos professores:
Durante a prática do PA na escola, procuramos marcar encontros com os professores para apresentarmos o projeto que se desenvolvia na escola e, ao mesmo tempo, incentiva-los a realizar um projeto com seus alunos. Como sabemos, um PA pode ser preparado para ser desenvolvidos em algumas poucas aulas, como também durante um mês, um bimestre e até o ano todo, podendo ser uma ferramenta poderosa não só na construção do conhecimento, mas também, se bem elaborado, como um reforço adicional para a aprendizagem. Pelo que percebi, a equipe técnica da escola é uma peça fundamental na implantação de mudanças significativas na escola, sendo necessário um investimento nestas pessoas, afim de que as mudanças possam ser efetivadas.
· A escola não aceita o desafio de ações inovadoras:
“O medo do novo” me parece que á a frase apropriada para definir o que presenciei na escola. Isto também pode se dar pelo conservadorismo implementado pelas políticas públicas. Sendo a escola pública intrinsecamente ligada ao poder público estadual, pode acontecer que os professores sigam somente o que determinado pela (s) secretaria (s) de educação dos seus estados. Tomamos o caso do Espírito Santo: quando estive lá em 2002 participando do Iº ECONTRO REGIONAL DO PROINFO, os trabalhos apresentados indicavam fortemente que o Estado havia implantado a aprendizagem por projetos em suas escolas como uma meta a ser alcançada. Todos os trabalhos apresentados naquele Encontro indicavam fortemente esta evidência. Entretanto, recentemente o Estado do Paraná fez uma grande discussão curricular e reforçou a disciplinar idade no discurso educacional do estado. Ora, pelo que sabemos um PA não tem fronteiras, nem disciplinar nem transdisciplinar, o que pode ter contribuído para que os professores não aderissem à prática do PA em suas turmas.
II Organização institucional
A escola concordaria com o projeto, desde que ocorresse em contra turno, isto é, desde que não interferisse no cotidiano escolar, sendo que os encontros com alunos e professores para discutir o plano de trabalho ocorreram sempre em horário em que professores e alunos envolvidos no projeto não estivessem em horário de aula. No que diz respeito à utilização do laboratório, não houve em nenhum momento qualquer atitude da escola para não utiliza-los. Entretanto, foi necessário nos deslocarmos á escola para preparar algumas máquinas para o projeto, uma vez que são máquinas antigas, com pouca memória e que suportam somente o windows 98, sendo que algumas páginas da internet não abrem nestes equipamentos.
Evidências:
- A escola não flexibilizou horários e espaços para que os professores trabalhassem de forma conjunta:
Percebemos que a escola pública esta muito amarrada à grade curricular, tendo em vista que a equipe diretiva não foi sensível à necessidade de que o projeto que estava acontecendo em sua escola fosse discutido de forma coletiva pelos professores, propiciando um encontro com os mesmos para dar conhecimento dos fatos. Um dos grandes problemas que temos encontrado. Em sendo uma grade de horários fechada, isto é, sem intervalos entre as disciplinas, há de se pensar em uma alternativa que não comprometa o bom andamento das aulas.
· A escola privilegia o acesso às tecnologias para professores e alunos que estão realizando a prática:
Durante o desenvolvimento da prática do PA na escola o laboratório de informática esteve a disposição de alunos e professores envolvidos com o projeto, respeitando-se os agendamentos prévios. Como só o laboratório contava com uma máquina com windows xp 2000, era constantemente o acesso de pessoas estranhas ao projeto no laboratório para utilização da máquina que era a única que editava o pbwiki. Deste modo, tais interrupções contribuíram para que o projeto se estendesse além da carga horária prevista. Porém, dado a persistência dos alunos envolvidos, o projeto seguiu firme até o seu final.
III Infra-estrtutura
Durante o desenvolvimento do projeto na escola a mesma contava com uma linha de internet dedicada – ADSL – que era paga pela Associação de Pais e mestres da Escola (APMF). A internet era utilizada pela secretaria da escola e atendia o laboratório de informática, sendo que o acesso aos alunos era restrito, tendo em vista pequeno número de máquinas e de suas condições de uso. São máquinas modelo K6 – 200 MHZ, com 64 mega de memória com HD de 10 Gigabytes, suportando no máximo o sistema operacional windows 98. Havia um único notbook com processador 850 MHZ e HD de 20 Gigabytes capaz de suportar o sistema operacional windows 2000 – milenium, o qual possibilitou construir as wikis, uma vez que no windows 98 as páginas da wiki não abrem para edição. Deste modo, a máquina era disputada por cinco equipes, sendo necessário uma organização dos trabalhos para que todos pudessem utilizar o computador e deste modo, realizar o seu trabalho.
Apesar destas dificuldades, não houve em qualquer momento atitude por parte da direção que prejudicassem o andamento do projeto, salvo as condições já mencionadas.
Evidências:
· O acesso à Internet apresenta problemas intermitentes de conexão e ocorrem problemas na rede local:
As instalações do laboratório de informática do Colégio Estadual Padre Carlos remonta o fim do século passado, estando por assim dizer, em condições precárias de uso, e com isso, apresenta sérios problemas conexão, bem como na rede interna. Há cabos soltos das tomadas da rede lógica, o que compromete a rede digital;
· Atividades são modificadas ou impedidas por falta de software adequado:
O sucateamento das máquinas, tendo em vista que as poucas máquinas têm quase 10anos e, portanto, estão muito aquém das necessidades, já não suportam mais aplicativos em seus HDs e tampouco possuem memória e processador a altura das necessidades. Tais condições desses equipamentos prejudicaram em muito as atividades do grupo. Não foi possível, por exemplo, baixar o CmapTools para a construção dos mapas conceituais, sendo necessário construir os mapas utilizando-se de ferramentas do Oficce, como PowerPoint, entretanto, a experiência em utilizar o CmapTools ficou sem ser realizada;
· O laboratório tem poucas máquinas em condições de uso e ocorrem demoras para assistência técnica:
Inicialmente o laboratório contava com 20 máquinas do PROEM (Programa do Ensino Médio). Com o constante uso, as mesmas foram sendo sucateadas restando apenas 5 máquinas no laboratório, modelo K6 – 200 MHZ e um notebok 850 Mhz com win XP. A ausência de um programa de manutenção preventiva e corretiva contribuiu sobremaneira para o fato. Além disto, a escola esteve a mercê de programas como os “amigos da escola”, quando ela abriu para que a comunidade pudesse ajudar na manutenção dos equipamentos o que, na prática não aconteceu, pois muitas máquinas simplesmente desapareceram. O laboratório segue sem manutenção, aguardando a chegada dos Laboratórios do PRD.
5. CONCLUSÃO
À luz da experiência neste Curso, farei algumas observações que acredito ser pertinente ao tema em questão, bem como uma análise das experiências vivenciadas e também algumas sugestões que talvez possam contribuir para os próximos Cursos.
Concretamente pudemos verificar a importância que o computador tem no processo de ensino aprendizagem, não obstante este curto período de observação.
Observamos também que o fato de o Programa Nacional de Informática na educação (PROINFO), não ter atingido os resultados esperados em todas as escolas, deve-se a soma de fatores tais como:
- Falta de treinamento dos professores com adequado acompanhamento;
- Falta de equipamentos;
- Falta de uma política de manutenção dos equipamentos;
- Falta de um trabalho de sensibilização junto a chefias de Núcleos Regionais de Educação (NREs) e diretores de escolas quanto ao uso do computador como ferramenta pedagógica;
- Falta de um projeto voltado para as escolas em tecnologias da Informação e Comunicação;
- Falta de metodologia para utilização do laboratório com alunos;
- Escassez de profissionais habilitados em treinamento de Informática na educação.
Outra observação importante foi o pequeno interesse por parte dos professores em participar do projeto. Se não fosse feita uma escala, dificilmente eles se proporiam a trabalhar com os alunos em laboratório, sendo que isso se deve, em parte, ao fato de o professor ter que ir até à escola fora do seu horário de aulas, não obstante, poderia se utilizar a hora atividade que corresponde a 20% da carga horária para tais atividades.
Há uma espécie de medo, como se s máquinas fossem tomar o lugar deles e, o pior é que eles estão certos, caso não dominem essa tecnologia. Há, então, a necessidade de se trabalhar esse lado psicológico nos professores, pois só haverá mudança quando se acreditar que o amanhã será melhor que o hoje.
Não há como negar a motivação que o computador causa nos alunos, sobretudo, naqueles que não dispõe deste recurso em casa. Como disse a aluna Sandra: “uma espécie de magia toma conta da gente quando se está diante do computador” ao se referir sobre o que estava sentindo em desenvolver uma atividade utilizando o PowerPoint.
Uma constatação importante: Acredito ser muito difícil, para não dizer impossível, um único professor conseguir trabalhar com quarenta ou mais alunos em um laboratório de informática, especialmente se ele tiver menos de 20 máquinas, portanto, sugiro que a escola elabore um projeto de utilização do laboratório de informática em que contemple a disponibilidade de um professor colaborador, o qual poderia auxiliar o professor titular no sentido de dar atividades previamente definidas para uma parte dos alunos, enquanto a outra parte participaria das atividades em laboratório, havendo posteriormente, um revezamento. Outra alternativa, seria a utilização da biblioteca da escola, de tal modo que parte dos alunos faria atividades nesta enquanto outra parte estaria no laboratório, havendo uma troca na próxima aula. Outro ponto importante é a duração das atividades utilizando o computador a qual penso que não deve ser inferior ao horário de 2 horas/aulas.
Entre as queixas dos professores para não utilização dos laboratórios, está justamente a dificuldade de trabalhar com turmas grandes, ou seja, com mais de um aluno por máquina.
Entre os países emergentes, economicamente falando, está um que há pouco mais de cinqüenta anos teve duas de suas grandes cidades literalmente varridas do planeta, isto porque uma potência militar da época necessitava mostrar ao mundo seu poderio bélico e quem estava dando as cartas naquele momento final da Segunda Grande Guerra Mundial. Recentemente, esta sendo veiculada pela Rede Rock, uma cadeia de emissores de FM, uma propaganda que faz menção a esse país e afirma que ele só chegou onde está porque passou por profundas transformações após a Guerra, e que o governo sabia que a chave do futuro estava calcada em uma educação forte.
Estamos falando, obviamente do Japão que, na década de 80 e 90 revolucionou o mundo com seus padrões de qualidade e produtividade. Vicente Falconi Campos, Professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, em 1992, lançou o livro TQC - Controle da Qualidade Total (ao estilo japonês). Logo no primeiro capítulo ele pergunta: Por que razão o ser humano se organiza, constituindo empresas, escolas, clubes, hospitais, governos, etc?. Após um intervalo para pensarmos na nossa situação de humanos vivendo confinados num planeta de gira a 1600 km/h e que não sabe qual o seu destino na imensidão do universo, a resposta parece ser óbvia: sobreviver na Terra da forma mais amena possível e o grande objetivo das organizações não são outro senão atender as necessidades do ser humano nessa luta pela sobrevivência.
E o grande questionamento que me faço é: a escola pública de hoje está apta para atender as necessidades e anseios da sociedade à qual ela faz parte? Observamos com relativa facilidade que houve muitas mudanças nas últimas duas décadas; a Internet e a revolução que causou na comunicação entre as pessoas. Observa-se que a informática avança com impetuosidade e velocidade, nunca observada em outras tecnologias já existentes anteriormente. Como diz Hobsdbaw, "a ciência, hoje, de fato altera o cotidiano das pessoas. Coloca-se na forma de tecnologia em todos os espaços, transformando o ritmo da produção histórica da existência humana”.
Em nossa caminhada neste Curso em EAD, notamos que a escola dos nossos dias continua na sua grande maioria, com práticas que estão ultrapassadas e que não correspondem às exigências do momento atual. Sendo assim, o que precisamos mudar, quais pontos precisam de uma intervenção cirúrgica?
Os estudos de casos nos deram uma certeza daquilo que já sabíamos que estava ocorrendo, porém, não tínhamos a comprovação. Observamos que o grande responsável por provocar as mudanças necessárias, o professor, não está preparado para tal. Obviamente não vamos discutir aqui o porquê, mas apontar suas conseqüências. Houve uma espécie de lacuna na capacitação dos professores face às novas tecnologias, isto porque, contrariamente às organizações e empresas, a escola não passou por um programa de qualidade e demorou em acordar para o uso do computador como ferramenta pedagógica. Muito embora existam escolas particulares com um bom número de máquinas, a sua utilização ainda é instrumental e não pedagógica. Neste contexto, o Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO – esta dando os passos certos, ainda que de modo incipiente, as mudanças começam a aparecer através de programas de capacitações promovidos pelos NTEs (Núcleos de Tecnologias Educacionais) espalhados por todo o território Nacional.
Programas de capacitação de multiplicadores, como o presente curso, promovido através de ambientes virtuais de aprendizagem, ao mesmo tempo em que propiciam a participação de alunos dos mais longínquos lugares, propiciam também, uma forma inovadora de aprendizagem, mediada pela telemática, o que deverá possibilitar atingir um número cada vez maior de escolas, professores e alunos.
Observamos também que, as participações nos fóruns são de extrema importância para o crescimento individual e coletivo, além dos diários de bordo, os quais são na verdade os passos registrados dessa caminhada, possibilitando analisar e realimentar o processo de aprendizagem.
A experimentação deste Curso foi importante, porquanto vimos que, cabe aos professores mediar à construção do processo de conceituação a ser apropriado pelos alunos, buscando a promoção da aprendizagem e desenvolvendo habilidades importantes para que eles participem da sociedade que muitos estão chamando de "sociedade do conhecimento".
Quanto a participação e orientações dos professores do curso, considero perfeita, atuaram na hora certa, conforme pode-se observar no fórum. Esta é uma situação importante nestes Cursos, até mesmo para que o cursista não se sinta desamparado, já que está longe da turma e da sala de aula, o que poderia favorecer um abandono do Curso. Quanto mais interações houver entre os participantes e orientadores, mais confiança os cursistas sentem no Curso.
Nossas observações apontam para resultados animadores quanto aos projetos de aprendizagem nas escolas. Eles propiciam oportunidades para que professores e alunos trabalhem juntos, sejam parceiros na construção do conhecimento, mas sentimos ainda que haja muita resistência por parte dos professores com relação às novas tecnologias. Parece-me que há uma espécie de medo no ar, medo de perda de emprego, medo de que o aluno saiba mais do que ele, medo de ter que aprender uma nova forma de ensinar e aprender.
Nestes novos tempos, a escola tem um papel muito maior, qual seja o de proporcionar condições para que a “era digital”, não seja mais um instrumento de exclusão social. Quanto ao professor, esse tem o poder nas mãos de mudar conceitos e interferir na realidade, este álias, é um dos pilares do PROINFO. Basta agir coletivamente. Segundo Freinet, “O educador deve ter sensibilidade de atualizar sua prática e isso, aliás, é o que faz com que ele ainda seja moderno”. Desse modo, cabe a ele refletir sobre a relevância da cooperação e da colaboração no processo da aprendizagem, posto que esta seja uma prática que provoca mudanças radicais no modo de ensinar e aprender. Para isso, mais do que nunca, devemos nos despir de toda a carapaça de conceitos e preconceitos, enfim, ter em mente que mais do nunca devemos estender um novo e diferente olhar sobre a humanidade, ainda marginalizada pela exclusão digital.
Penso que estamos diante de um novo desafio. Ou a sociedade organizada toma consciência de uma vez por todas que as mudanças são necessárias frente ao novo quadro global que se apresenta diante das novas tecnologias e que a educação deve seguir este mesmo caminho, ou a escola vai, em breve, deixar de exercer o papel que sempre exerceu no processo de construção e organização do Estado e, por conseguinte, deixar de existir. O que não podemos é ver esse processo acontecer sem fazermos absolutamente nada, tal quais os milhares de professores que ainda estão achando que ser professor é repassar conteúdos aos seus alunos e que eles sempre estarão lá. E isto é uma coisa importante, sem alunos não há escola e por conseqüência, não há emprego.
Está mais do que na hora de acordarmos para esta realidade que está chegando aos nossos pés. Já existem escolas que tiveram turmas canceladas, turmas que não abriram e coisas do gênero. Aliados ao um processo de desaceleração de crescimento populacional a partir da década de 1990 têm por outro lado, uma escola que não é mais, por assim dizer, atraente.
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